Pessoal:
Se querem saber por que os impostos jamais irão baixar se o sistema continuar, é só ler o que está abaixo.
A frase final que Thomas Mann coloca na boca de Giordano Bruno, prestes a ser queimado na fogueira, não me sai da cabeça: “Que tolice a minha, pedir ao poder que abrisse mão do poder…”
O Brasil que trabalha, vitimizado pela vagabundagem oficial dos apaniguados, jamais conseguirá livrar-se deles.  Afinal, são justamente eles os que mantêm esse sistema injusto.  A cúpola (ou cópula?, já que eles estão f… os brasileiros) necessita dos impostos em causa própria.  Não são só os ladrões, os corruptos que o sistema anacrônico facilita descaradamente, mas aqueles que, mesmo não corrompidos, são os beneficiários diretos dele.
Ajuda muito a ignorância do brasileiro, para quem o patrão, com o qual ele tem relação direta, é o culpado, enquanto o governo “bonzinho” é o defensor de frascos e comprimidos.  Poucos param para pensar que para cada R$ 100,00 de salário, o patrão malvado paga ao Estado “bonzinho” pelo menos o dobro, que ainda desconta do “afilhado” uma boa fatia…  E o patrão leva a culpa!  Genial a prestigiditação governamental, não há dúvida!
Além de tudo, o pobre abestalhado paga imposto sobre imposto sobre tudo que consome.  Como eu digo, limpar o fiofó não deixa de ser um ato “patriótico”, porque o Estado “bozinho” leva quase 20% da sua higiene! 
Fico pensando se os impostos sobre os produtos de higienes são pesados intencionalmente.  Vai ver que é parte da campanha para evitar a implantação da Ficha Limpa.  É, faz sentido – quem tem rabo sujo não pensa em limpar o rabo alheio!  Além do mais, temos entre nós uma adaptação da terceira lei de Newton: “Lixo atrai lixo na razão direta do monturo e no inverso do quadrado da limpeza”.  Então, os impostos fazem ou não fazem sentido?
Está anunciado hoje: a indústria cai novamente, mesmo depois dos “incentivos”. 
Incentivo?  Catso, que incentivo? 
A indústria, o agronegócio e o comércio nacionais, curvada sob o famigerado “custo Brasil”, teria melhores – não, permitam-me dar mais ênfase, muito, muito melhores condições – se os impostos fossem reduzidos e as leis e a burocracia simplificadas.
Droga, deixem quem trabalha produzir, tanto no setor privado quanto público!
Ou, fatalmente, com a falta de perspectivas de sobreviver, obrigados de seguir as infindáveis portarias, normas, instruções e arengas burocráticas, os brasileiros ou caem na informalidade ou na desonestidade.  Apesar de não ser advogado, como um amigo me disse, este pode ser um caso típico de uma figura jurídica chamada “extrema necessidade”, no fundo uma aplicação prática da lei de Darwin…
Leiam e concluam.  E, se quiserem, chequem.
Abração,
João Guilherme
 A divulgação dos salários de todos os servidores públicos do Executivo federal, que começou nesta semana por força da Lei de Acesso à Informação, revelou o tamanho da discrepância entre as remunerações de diferentes áreas. Embora em toda campanha eleitoral candidatos apregoem nos palanques que ensino e saúde são prioridades do país, isso não se reflete na estrutura salarial do funcionalismo federal.
Entre as carreiras de nível superior, ninguém recebe tão pouco quanto professores e médicos. As diferenças chegam a 580% quando se compara o salário inicial de um professor auxiliar universitário ou de escolas técnicas em início de carreira, com 40 horas semanais, com o de um advogado da União com mesma carga horária: o primeiro começa com R$ 2,2 mil; o segundo, com R$ 14.970. Essa discrepância na folha de pagamento federal é um reflexo do que já se verifica na iniciativa privada.
Esse mesmo advogado chega ao setor público ganhando 368% a mais que um médico federal de início de carreira, que tem salário de R$ 3,2 mil. O GLOBO fez levantamento dos salários de todas as carreiras de nível superior do serviço público federal – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Na elite do Executivo estão carreiras como delegado da Polícia Federal, perito criminal, advogado da União, procurador federal, auditor fiscal da Receita e diplomata. Todos têm salários iniciais a partir de R$ 13 mil e no fim da carreira os vencimentos passam dos R$ 18 mil, isso sem contar gratificações.
O levantamento dessas discrepâncias salariais dentro da área pública dá continuidade à reportagem de ontem do GLOBO que mostrou que funcionários do setor público ganham, em média e por hora trabalhada, mais que os do setor privado formal em 87,8% das ocupações.
Levantamento feito pelo jornal, a partir do Censo 2010, sinaliza que, em 338 empregos em que foi possível comparar as duas áreas, em 297 o serviço público pagava melhor.
Um professor de universidades ou de escolas federais, como Cefet e Pedro II (Rio), que trabalhe 40 horas por semana, recebe salário inicial de R$ 2.215,54 e no fim da carreira, com cursos de doutorado, pode chegar a R$ 5.918,95.  Caso tenha dedicação exclusiva à universidade ou à escola federal, seus vencimentos começam em R$ 2.872,85 e podem chegar ao fim da carreira, após doutorado, a R$ 12..225,25.
Situação semelhante é vivida pelo médico federal. De acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, o médico que trabalhe 40 horas semanais ingressa na carreira recebendo R$ 3.225,42 e chega no fim da carreira com R$ 5.650, fora as gratificações.
Em termos salariais, “o Senado é o céu”
Bem próximo deles na rabeira dos salários do funcionalismo está outra carreira vista como decisiva para o futuro do país, a de pesquisador.
Os tecnologistas e analistas em gestão de pesquisa em Ciência e Tecnologia recebem salários iniciais de R$ 4.549,63 e no fim da carreira, com doutorado completo, podem chegar a R$ 14.175,82. 
Se a diferença dentro do Executivo já impressiona, quando se comparam esses salários com os dos outros poderes, ela se torna aterradora.  Salários de nível superior na Câmara começam em R$ 11.914,88 e chegam a R$ 17,352,53 para especialistas em técnica legislativa, analistas de informática, consultores, jornalistas e taquígrafos.
Mas, como já dizia Darcy Ribeiro, o Senado é o céu. Lá, os concursados de nível médio, como policiais legislativos, ingressam no serviço público recebendo R$ 13.833,64.  Já os salários de nível superior, voltados a analistas legislativos, gestores, médicos e jornalistas, começam em R$ 18.440,64 e chegam a R$ 20.900,13 no fim da carreira.
O topo da burocracia nacional, no entanto, são os advogados e consultores do Senado.  O salário inicial dessas carreiras é de R$ 23.826,57 e chega a R$ 25.003,21.  Esses vencimentos batem os da elite do Poder Judiciário, onde os juízes concursados ingressam com vencimentos de R$ 21.766,15 e, quando chegam a juiz de tribunal regional, alcançam R$ 24.117,62. Sempre sem considerar as gratificações, horas extras e outras comissões por títulos e/ou
funções.
Para a economista Margarida Gutierrez, da Coppead/UFRJ, há um exagero nos valores pagos a boa parte do funcionalismo do país.
– Os salários do setor público federal não são condizentes com a situação do país.  São maiores que os pagos nos Estados Unidos e na Europa.
Somos um país pobre – explicou a professora.
Ela vê na disparidade salarial uma demonstração das prioridades governamentais, ressaltando que, nos últimos quatro anos, o governo reajustou quase todas as carreiras, mas os professores ficaram fora:
– O professor está totalmente defasado, apesar de o serviço federal no país ser exorbitantemente bem pago. Isso mostra que o governo não tem
o menor interesse em promover educação.
O Ministério da Educação reconhece que o salário dos professores universitários é mesmo baixo, como também o dos da educação básica.  Assessores envolvidos na discussão ressaltam que o governo cumpriu acordo com os sindicatos dos professores, feito ano passado, de dar aumento de 4% em março último, mais a incorporação das gratificações.
E que há um compromisso de até o mês que vem encaminhar o plano de carreira dos professores.
Fonte: O Globo
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